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Os jornalistas, o futebol e as modalidades pobres

*Carlos Sena

Nota: Porque, entre nós, a questão da primazia que a imprensa dá ao futebol, em detrimento das chamadas modalidades pobres, tem suscitado acessos debates, ao autor deste artigo – com a sua autorização – revela-nos, também, como se aborda tal polémica em Portugal.

A problemática da relação existente entre as modalidades desportivas ditas amadoras e os órgãos de comunicação social de uma forma generalizada, têm vindo a ganhar importância sobretudo num momento em que deparamos com um claro e concreto desenvolvimento estrutural e organizativo das mesmas.
Assim sendo, a relação existente entre os medias e o futebol e as modalidades ditas amadoras tem originado inúmeros debates e proporcionado momentos de reflexão pela atenção excessiva demonstrada pelos mesmos ao futebol de alta competição.
Vivemos numa sociedade de informação comandada por indicadores e factores económicos, que muitas vezes ultrapassam valores fundamentais inerentes à prática desportiva e aos estímulos que deve proporcionar sobretudo nos mais jovens.
O desporto, como factor de coesão social e desenvolvimento económico tem hoje uma enorme abrangência na sociedade portuguesa encarado muitas vezes como motor de desenvolvimento do ser humano.
Esta é sem dúvida uma função essencial da prática desportiva e que deve ser observada também pelos melhores dias de uma forma global. Numa sociedade ávida de informação, os órgãos de comunicação desempenham uma função social de grande importância.
Através dos sentimentos e paixões que conseguem despertar, os medias devem ser os grandes parceiros estratégicos das organizações e entidades desportivas, colaborando na informação, divulgação e promoção das modalidades.
Sem dúvida, que assistimos diariamente a uma informação controlada pelo fenómeno económico em que se transformou o futebol, extremamente desproporcional às restantes modalidades e que se torna prejudicial ao desenvolvimento e crescimento das mesmas.
Em relação à Federação Portuguesa de Patinagem, instituição de utilidade pública com 75 anos de existência e da qual tenho a honra de presidir, que tem nos nossos dias uma importância incontornável no enquadramento e no contexto do panorama desportivo português, tem se deparado com a falta de atenção adequada à sua real importância, da parte da Comunicação Social.
Modalidade espectáculo, capaz de despertar paixões e de atrair massas, com grande visibilidade de Norte e Sul do país, tem registado um crescimento da sua divulgação, nomeadamente a nível televisivo onde tem conquistado audiências extremamente espectaculares.
Efectivamente, a televisão tem dado especial atenção a esta modalidade, originando uma maior divulgação e projecção da sua imagem junto dos amantes da modalidade, mas também junto dos mais jovens. (continua).

*Carlos Sena é presidente da Federação Portuguesa de Patinagem 

 

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