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É humorista da mini-série “papa ngulo e chico cachico”

Manuel João “Papa ngulo”

“Sou um cidadão pacato que luta pela vida”

Responde a nove perguntas (In)discretas

Manuel Francisco João, Nelo Jazz, ou ainda Papa Ngulo, humorista da Televisão Pública de Angola que contracena com Chico Cachico é o nosso convidado para esta edição de nove Perguntas Indiscretas. O actor diz que o seu trabalho tem motivado os citadinos para que a cidade mude o seu visual, pois devemos todos mudar de consciência para uma Luanda limpa. 

Rosa Napoleão

1-Já alguma vez cometeu alguma asneira num momento de emoção por ver a sua equipa a vencer?

Já cometi certas asneiras como bater na mesa, levantar cadeiras, gritar e até gasto todo o saldo do telemóvel ligando aos amigos para festejar. O meu clube do coração é o 1º de Agosto, pois sou do D’Agosto até morrer. Sempre que vencemos essas coisas acontecem, afinal, somos humanos e temos as nossas emoções e se a equipa perde escondo-me dos amigos ou desligo o telefone. O 1º de Agosto já me fez chorar, ir ao hospital porque a tensão tinha subido e fiquei internado durante dois dias. 

2-O que espera da Selecção Nacional no CAN de 2010?

Como todos os angolanos, espero que faça uma boa figura, tal como o fez no recente e Mundial de Alemanha. Todos fomos surpreendidos, pois não imaginávamos que pudéssemos atingir aquele nível e Angola mostrou que é capaz de ir mais longe.

3-Quem é Manuel Francisco João na pessoa de Papa Ngulo e Nelo Jazz?

O Papa Ngulo é aquele que ninguém gostaria de ter como amigo; uma pessoa lesiva à sociedade, às boas maneiras, ao bom comportamento; ele é uma pessoa má comportada que faz tudo contra o bem-estar da sociedade. Sou um cidadão pacato que luta pela vida e procura transmitir os bons exemplos à sociedade. É ainda chefe de família, trabalhador da Função Pública, um jovem que procura o seu espaço na sociedade.

4-Papa Ngulo interpreta um papel completamente diferente daquilo que é na vida real? Como consegue esse enquadramento?

Consigo isso com muita facilidade porque sou actor e este, no verdadeiro sentido da palavra, procura fazê-lo com rigor. Interpreto a personagem do Papa Ngulo com humor, aliás, esta é a marca do humor, mas não sou humorista, no verdadeiro sentido da palavra.

 5-É fácil contracenar com o Quim, o Chico Caxico? Como está a ser esta experiência?

É uma grande experiência, pois tem sido maravilhoso contracenar com ele. É desses actores que consegue interpretar qualquer personagem. É também um actor versátil, de maneira que, nos conhecemos muito bem. Cada um conhece os fortes e os fracos do outro e procuramos ajudar-nos um ao outro. 

6-O seu coadjuvante também interpreta apenas o humor ou é na realidade um humorista por excelência? 

Olha, o Quim não é uma pessoa cheia de humor, pelo contrário, é tímido. Ele não é nem um pouco humorista, mas quando lhe dão este tipo de papel é um vulcão; transforma-se e consegue interpretar o papel sem problemas, por isso, as pessoas admiram-no. É um grande profissional que já está no teatro há bastante tempo e carrega uma vasta experiência.

7-O vosso trabalho está a contribuir para que a sociedade possa conservar bens públicos? Isso motiva-vos mais para continuarem?

 Realmente. Estas duas personagens o Papa Ngulo e Chico Caxico vêm transmitir às pessoas ideias de que devemos mudar de consciência, pois é isso que se quer. Elas devem mudar de comportamento; sabe-se que, honestamente, falando de Luanda, já foi muito suja, mas com as campanhas que o Governo tem estado a realizar na educação cívica, as pessoas têm estado a mudar. O Papa Ngulo e Chico Caxico vêm também juntar-se a isso e notamos que tem havido reciprocidade. As pessoas têm procurado melhorar, apesar de reconhecer também que ainda há quem mesmo vendo os exemplos de sensibilização para a educação cívica ainda tem estado a comportar-se mal. São os exemplos dos utilizadores do comboio e os táxis que jogam o lixo para fora.

8-Como figura bastante conhecida já foi interpelado, chamando-o por Papa Ngulo?

Acontece comigo todos os dias e habituei-me a isso, até porque é gratificante, pois demonstra que as pessoas valorizam o nosso trabalho e vêm transmitir-nos o seu calor, por isso, temos que ter um especial carinho por elas, afinal, trabalhamos para o público. Se ele não existisse, seria em vão o nosso trabalho.

9-Algum dia pudemos surpreender o Nelo Jazz a deitar lixo ao chão?

(Risos). Nunca. Nunca faço isso e jamais acontecerá. Se se tratasse do Papa Ngulo, talvez, porque é o seu papel, mas o Nelo jamais vai deitar uma lata de cerveja ou gasosa ao chão, porque nós temos de ser exemplares e os primeiros a conservar a nossa cidade. 

 
 

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