| “ O Conversas no Quintal” é uma equipa e o mérito é para todos”
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Actor de teatro que também já foi basquetebolista e futebolista
Luís kifas, o Sidónio do “conversas do quintal” |
1-Senhor Luís Kifas, um bom humorista nasce com este dom ou adquiriu-o ao longo da sua carreira? Sou humorista e actor. Eu consigo representar o personagem Sidónio como conseguiria representar, por exemplo, um personagem tímido. Nós devemos saber separar as coisas. Uma coisa é o Sidónio em cena no “Conversas no Quintal” e outra é o Luís Kifas como cidadão, esposo e pai. São coisas completamente diferentes. Felizmente, nós, actores temos esta capacidade de separar as coisas e discernir a representação e fora dela. Há pessoas que confundem isso; quando estamos fora dos estúdios querem-nos olhar como actores e não como pessoas comuns. Como exemplo há momentos em que estou a falar algo sério e as pessoas levam tudo na brincadeira e querem se
rir.
2-A série humorística “Conversas no Quintal” apenas tem aceitação do público por causa do Sidónio?
Não. Não. O “Conversas no Quintal” é uma equipa e quando se trata de um trabalho colectivo o mérito é para todos. Há aqueles que, normalmente, se destacam mais que os outros e isso é muito normal. No futebol, por exemplo, temos visto isso. Se o Flávio marcar um golo todo o mérito vai para ele, mas, na realidade, antes da bola chegar aos seus pés passa por outros jogadores. O “Conversas no Quintal” é uma equipa que parte do homem das câmaras, iluminação, figurino até aos actores e estes dão a cara e tudo é um resultado de uma vasta equipa. Então, o sucesso deve-se a todos, inclusive, a TPA que se tem empenhado para melhorar cada vez mais a nossa produção.
3-Não fosse o “Conversas no Quintal” a sua imagem correria o Mundo em outro ramo de
actividade? Penso que sim. Sempre dei o meu melhor no teatro e todo este resultado na TPA é fruto de um trabalho que vimos a desempenhar há já vinte e seis anos. Entrei em 1983 no teatro pelo grupo Zulu e agora na TPA. Então, o tempo fez-nos adquirir uma vasta experiência ao ponto de nada mais ser segredo. Já dei a minha participação em várias novelas. Tenho por aí uma média de dezasseis publicidades e tudo isso consta de uma trajectória em grande. Já andamos há muito a representar, transmitindo várias mensagens à população; falávamos sobre as minas, saneamento básico,
etc,.
4-O que é contracenar com a sua esposa a
“Lembinha”? Nós já viemos a trabalhar juntos há bastante tempo. Desde que integrámos o grupo de teatro conhecemo-nos e sempre contracenamos juntos. A minha implicância com a Lembinha é somente no “Conversas no Quintal” em que o personagem dela não se entende com o Sidónio. Na vida real é tudo diferente: marido e mulher. Aí são outras pessoas, o Kifas e a
Vada.
5-Fazer teatro para um público desacostumado a esta vertente cultural é fácil?
Não diria que o público angolano está desacostumado a esta vertente cultural, até porque já podemos constatar grande fluxo de pessoas nas salas. Temos já muitos grupos de teatro no país e posso mesmo afirmar que quanto a isso é fácil.
6-O nosso teatro vai bem ou precisa de maiores
apoios? Eu diria que precisa de maiores apoios. O grande problema do teatro, em Angola, é das infra-estruturas. Felizmente, esta situação já está a ser solucionada. Teremos brevemente uma sala com melhores condições no Teatro Avenida. O nosso desejo é que se construam mais teatros Avenida, porque o projecto do Ministério da Cultura é grande e nós não podemos apenas usufruir de uma sala. Hoje, o teatro já tem um bom público e sabemos que a cada dia que passa cresce mais o número de grupos
teatrais.
7-Aceitaria a proposta para abandonar o “Conversas no Quintal” e ser humorista numa conceituada cadeia de televisão?
Bem, a vida é um desafio. Se, por exemplo, esta proposta for melhor que a da TPA é claro que aceitaria. Entretanto, o primeiro passo seria analisar para ver se valia a pena e se seria muito difícil para mim uma vez que amo o público angolano, mas a vida é assim mesmo. As coisas não podem ficar paradas, não podemos ficar limitados e temos que acompanhar a dinâmica da vida.
8-Qual foi o momento que mais lhe marcou no decorrer da sua
carreira? O que mais me marcou desde que estou no teatro foi a oportunidade que tive para conhecer Hollywood. Foi um convite que me fizeram há quatro anos atrás pela Embaixada norte-americana. Fui eu mais o falecido Menezes e tivemos o privilégio de lá estar durante trinta dias, foi muito agradável e isso me marcou até
hoje.
9-Acredito que tem acompanhado o fenómeno desportivo angolano. Como o caracteriza? Penso que o futebol de hoje lhe falta um pouco mais de espectáculo. Em tempos idos o futebol era muito mais espectacular, as fintas, os passes eram mais espectaculares. Agora o futebol é muito táctica e a criatividade do futebolista fica meio abafado. Eles procuram seguir mais o esquema traçado pelo técnico. Abro aqui um parêntesis para dizer que também já fui basquetebolista e foi meu companheiro de equipa o Herlander Coimbra, assim como joguei futebol pelos Técnicos do Rangel.
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