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MESA REDONDA

mesa redonda

Armando Culau e Albertino de Oliveira garantem:

“Petro de Luanda e ASA preparam-se afincadamente para conquistar o título africano de andebol “

 

O Petro Atlético e o Atlético Sport Aviação “ASA” representarão Angola na XX VII edição da taça dos campeões. Entretanto, as duas equipas tiveram um trabalho árduo na preparação, onde puderam limar todas as arestas que pretendiam. Armando Culau e Albertino, técnicos do Petro de Luanda e do Asa respectivamente, fizeram saber a nossa reportagem que tiveram uma preparação condigna que lhes permite uma participação sem sobressaltos que garanta a conquista da taça. Acrescentaram que os seus planteis respiram boa saúde e oferecem grande confiança para atingir os objectivos preconizados.Poderá ler abaixo.


Acompanhe a entrevista conduzida por  Manuel Neto

Jornal dos Desportos- (JD)- Como decorreu a preparação das vossas equipas?


Armando Rodrigues Gomes “Culau”- Devo dizer que a nossa preparação correu da melhor maneira possível, visto que tivemos sete semanas de preparação com fito de cumprirmos condignamente com os objectivos por nós preconizados.


Alberto Brigido de Oliveira “Tino”- De igual modo ao Petro de Luanda, nós também trabalhamos sem sobressaltos ,durante sete semanas após uma semana e meia de recuperação devido ao campeonato nacional onde estivemos engajados. Tudo correu de acordo a nossa previsão e, como o campeonato nacional já havia sido antecipado em função desta competição, ficou tudo mais facilitado .


JD- Quais os objectivos do Petro nesta competição?


AC- Além do aspecto desportivo em causa , é nossa intenção cumprirmos com as metas traçadas pela direcção da equipa em termos de classificação. Temos consciência que será muito difícil, uma vez que há equipas que não vão ao mundial e farão desta competição, a antecâmara para preparação das suas equipas para as taças das Nações que terá lugar em janeiro do próximo ano. 
Entretanto, Angola como está apurada para o próximo mundial, deve nesta competição ,fazer melhor para aparecer também melhor no mundial que se avizinha.


JD- O ASA também persegue os mesmos objectivos?


AP- Bem, vocês sabem que o Asa esteve ausente desta competição durante algum tempo. Recordo que a sua última qualificação foi o 5º lugar, de maneira que o ASA este ano vai tentar obter a melhor qualificação possível. Os indicadores para nós partem dos jogos que temos feito com o nosso campeão africano em título, neste caso o Petro. A partir disso, prevemos uma boa classificação que passa pelo 1º ao 3º lugar.


JD- Quer o Asa, quer o Petro tiveram uma preparação especifica para os objectivos preconizados?


AC- Sim, uma vez que tivemos cerca de duas semanas para prepararmos o conjunto pra esta competição, posteriormente entramos para o período pré competitivo onde organizamos um torneio e fizemos alguns jogos com equipas masculinas, uma vez que nesta altura não temos nenhuma equipa feminina a competir. Finalmente, solicitamos ao Asa para realizarmos alguns jogos de controlo e assim completamos o nosso ciclo de preparação.


AT- Neste aspecto, não tivemos problemas de maior, uma vez que temos já uma colaboração permanente com o Petro de Luanda , coisa que já existe há alguns anos e este ano como vamos a mesma competição foi ainda melhor, onde pudemos aproveitar preparar as duas equipas, tentando melhorar os nossos conjuntos.


JD- Podemos daí depreender que a colaboração entre as duas equipas tem sido salutar...


AP- Quero salientar que ultimamente tem havido uma certa melhoria em termos de colaboração das equipas femininas. Á relação entre os técnicos no que toca aos jogos de preparação tem sido salutar, repare que anteriormente só fazíamos jogos com equipas masculinas, mas hoje a coisa já é outra , porque numa preparação com o Petro, o Asa também tira vantagens Por isso foi um gesto louvável.


JD- Comenta-se que as próximas competições serão em sistema de liga, isso será benéfico para vocês?


AT- Para mim, ainda é uma novidade, uma vez que dirijo o Asa pela primeira vez nesta competição, apesar de o Asa ser já um participante activo neste tipo de competição. A meu ver, penso ser bastante onerosa para o Asa, a sua participação neste tipo de competição em forma de liga. O mesmo digo para o continente africano. Repare que só a nível do futebol já tem sido um problema grande por isso acredito que no andebol, não sei se isso vai funcionar.


JD- O professor Culau é da mesma opinião?


AC- Claro que sou, ora bem, se tivermos em conta este novo sistema de disputa com deslocações constantes, não vai nos ajudar em nada, porque os gastos que teremos , serão muito grandes e se formos avaliar o troféu que a organização oferece ao vencedor, não compensa , nem em 5% dos gastos que por exemplo o Petro fará para se deslocar de Luanda para qualquer ponto de África. Por isso, concluo que esta não será o melhor molde para nós.


JD- Perante este quadro que se pretende, vocês já fizeram sentir a vossa voz aos órgãos de direito?


AC- Primeiro vamos à competição e posteriormente vamos apresentar o nosso ponto de vista por escrito , porque pensamos que isso não será salutar tanto para as equipas angolanas como para as africanas. Entretanto, nós temos tido encontros regulares com a direcção do nosso clube com o objectivo de darmos uma instrução mais técnica a este novo sistema onde temos tido um respaldo positivo por parte do elenco directivo.


AT- Eu acredito que o próprio órgão reitor da modalidade, também vai optar por manter o sistema anterior. Porque basta ver que para se ir à uma competição neste sistema de disputa concentrada, já se faz uma ginastica enorme, agora imagine com a mudança de figurino. Penso que será muito mais difícil então a meu ver quem acaba prejudicado é o andebol angolano de formas que acredito que a Federação também terá uma palavra a dizer sobre este assunto. 


JD - Desde 1997 até a presente data, o Petro de Luanda venceu todas edições da Taça dos Campeões. É caso para partirem já como favorito...


AC - Eu penso que não. Acredito que todas as equipas trabalharam bem. A informação que temos é que uma das equipas que vai representar os camarões encontra-se nesta altura a estagiar em França, tal como as equipas marfinenses que há muito não realizam estas competições em casa. Pode-se pensar que estão a fazer uma grande preparação com o fito de vencerem o campeonato. Por isso, será muito difícil para qualquer das equipas envolvidas nesta competição levar o troféu, mas como estamos nestas andanças há muito, vamos avaliar tudo isso no terreno.


JD - Que motivações teve o ASA para voltar às competições internacionais, uma vez que estão há algum tempo ausente das mesmas?


AT - A princípio foi a brilhante participação que o ASA teve durante o campeonato nacional. Recuperou o 2º lugar que outrora o pertencia e tinha sido perdido pelo facto dos problemas que vivia.
Nessa altura, o ASA reestruturou todo o seu andebol, melhorou a sua qualidade de jogo e por esse facto conquistou o 2º lugar, que serviu de motivação para a direcção do Clube prestar todo seu apoio. 


JD – Quais são os principais objectivo para esta competição?
AT- Normalmente nos baseamos nos nossos indicadores internos que partiu da preparação que tivemos em casa e pensamos que foi boa. Entretanto, devo dizer que temos um grande interesse em discutirmos o título com o Petro, e para que tal aconteça, temos que dotar a equipa de melhor rodagem competitiva. 
Nas competições internas nos limitamos apenas a jogar a sério com três equipas, uma parte já como qualificada e outras duas lutando pelo 2º lugar. Em suma, esta competição será benéfica para o ASA.

JD - Estava previsto estagiarem no exterior...


AT- Acredito que seria benéfica se isso acontecesse, mas agora temos que ter os pés bem acentes no chão e vermos o que está à nossa volta. É bem verdade que caso fossemos ao estágio não iríamos à competição. 
A meu ver, o estágio internamente também é salutar. Repare que temos cá o campeão africano que sempre trabalhou no País e ganhou todas as competições em que esteve engajada. Por isso, não nos preocupamos com o estágio fora do País.


JD - Aquando da disputa da Supertaça Babacar Fall, vimos um Petro muito aquém das suas reais capacidades, será que não acontecerá o mesmo na competição que se avizinha?


AC- São duas competições diferentes e devo dizer que naquela altura vivíamos alguns problemas internos e aliados aos adiamentos constantes da prova, terá desmoralizado os atletas. Mas nestas condições, o mais importante é não sofrer muitos golos e marcar mais que o adversário. Foi o que fizemos; ganhamos aqui por 4 bolas e lá por 2. Por isso, pensamos que não vamos cometer os mesmos erros daquela competição.


AC – Nós, para esta época, em função as alterações que foram feitas na Taça de Angola e no Campeonato Nacional, pensamos que não seria benéfico estagiar fora do País. Por isso, fizemos a preparação cá, e estamos em óptimas condições de fazer ter uma boa participação, apesar de reconhecer que um estágio é sempre uma mais valia par qualquer equipa que se preze.


JD -A competição interna foi suficiente para manterem os níveis pretendidos?


AT - Acredito que sim, porque o trabalho não diferenciou muito do que fizemos na preparação para o Campeonato Nacional. O modo de disputa do africano acaba por ser um pouco ao estilo do nacional pelos ritmos de jogos, visto que são competições em dias alternados. No entanto, conseguimos fazer um torneio com as mesmas características e penso que foi proveitoso.


AC - O Petro conseguiu manter os níveis, se bem que esperávamos por uma maior entrega por parte da equipa masculina, com quem trabalhamos, mas foi bastante valioso para manter os nossos níveis.


JD - Como estão em termos de apoio financeiro?


AT – De momento desconheço. Limito-me apenas à área técnica. O valor financeiro, tramitação de documentos e outros serviços pertencem a outra área. Por isso, prefiro que cada um faça a sua parte. 


AC - Eu sei que qualquer deslocação no exterior do pais é bastante onerosa, pelo facto de termos apenas um único meio de transporte que é o avião. As passagens não são baratas, mas sei que a organização cobra a cada clube participante um valor aproximado a 23 mil dólares como taxa de participação que serve para alojamento, alimentação e campos para treinamentos durante os 15 dias de competição. 
a citar estas. 


JD - Como estamos termos clínicos e reforços?


AT- Em termos clínicos temos a lamentar a ausência da Sônia Fonseca que infelizmente já não vai fazer parte deste grupo devido a uma lesão contraída num dos joelhos. 
Quanto aos reforços, estamos bem servido na zona da primeira linha com a presença de Elisa Tavares e a Catarina Santos que vieram do 1º de Agosto, penso que estão a dar outro ânimo a esta parte da equipa, uma vez que o ASA tem poucas jogadoras nessa posição.


JD -Em suma, o ASA está bem e espera apenas pelo dia D.


AC - O Petro vai apresentar algumas alterações, como é o caso da Ilda Bengue, que além de meia distância vai fazer a posição 6, pelo facto de termos uma das pivôs que é a Rosa Amaral impossibilitada de jogar, já que está em estado de mãe... 
AC - Rematando gostaria de dar força ao ASA para conquistar a taça, caso o Petro não consiga, já que o título não deve sair de Angola.

 

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PERFIL

Armando Gomes


Armando Rodrigues Gomes “Culau” nasceu na Kibala , Kuanza Sul, aos 20 de Fevereiro de 1962. É filho de Leopoldino Rodrigues Gomes e de Ângela Filipe dos Santos, casado pai, de dois filhos.
Jogou futebol no Sporting do Sumbe durante alguns anos. Posteriormente optou pelo andebol escolar, tendo representado por várias vezes a selecção de andebol escolar do Kuanza Sul. Mudou-se depois para equipa dos técnicos do Rangel, Petro de Luanda, Dínamos, Guedal e Ngola da Huíla.
Após ter terminado a carreira como andebolista, treinou as equipas de andebol do Inef, Dínamos de Luanda, Bolama e Ngola da Huíla.
Actualmente é técnico da equipa sénior do Petro de Luanda.

 

Albertino de Oliveira


Albertino Brígido de Oliveira “Tino” nasceu em Luanda, aos 9 de Maio de1964. É filho de Inácio Brígido de Oliveira e de Maria José de Oliveira , casado , pai de uma filha,
começou a praticar andebol no Sporting de Luanda e terminou a sua carreira como jogador, no Interclube.
Quando decidiu abandonar as quadras como atleta, enveredou pela carreira de treinador, tendo orientado o Interclube, Pagepas, Cuca, Paviterra, Sporting de Luanda e Maculusso. 
Actualmente é técnico da equipa sénior do Asa , e foi esta semana nomeado para o cargo de técnico adjunto da selecção sénior feminino de andebol de Angola.

 

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