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Fafan

 Fafan, o ponta que brilhou no Futebol Clube de Cabinda

Manuel Cardoso

  Foi um dos ponta-de-lanças mais queridos da província de Cabinda. Os seus dribles fizeram levantar multidões em vários campos do país, bem como de fora deste. Trata-se de Francisco Banganga Dikuila, mais conhecido nas lides futebolísticas por “Fafan”. Começou a praticar o futebol aos treze anos, na República Democrática do Congo, no Clube AS Moto, em 1978. Não passou pelas categorias de formação. Começou logo a jogar na categoria principal, muito por ter uma habilidade fora do comum. “Tinha muita força e era bastante habilidoso”, diz. Fafan jogou com grandes jogadores na República Democrática do Congo, como são os casos de Eli e Chila. O senhor David era o treinador, de quem guarda boas recordações. Já em Angola, aparece a jogar no Clube 1º de Maio de Cabinda, na década de oitenta. Fica uma época e, mais tarde, transfere-se para o Sporting de Cabinda, equipa que já militava na fina-flor do futebol nacional, no ano de 1981. Gaba-se de ter jogado no Sporting de Cabinda, ao lado de grandes craques na província, como Manuel Bocas (falecido), Moreira, Aleluia (falecido), etc. “Num torneio realizado em Cabinda, com a presença da equipa do Krhounobourg de Ponta Negra, fui levado para o Congo Brazzaville, onde joguei durante duas época. Mais tarde, transferi-me para o Cheminot, da mesma localidade congolesa. 

O interesse do Petro Atlético de Luanda

 Dada a sua habilidade, o Petro Atlético de Luanda foi a primeira formação a mostrar interesse por Fanfan, mas logo foi ultrapassado pelo Futebol Clube de Cabinda. No Cabinda encontra os amigos Suplex, do Benfica de Cabinda, e Mavinga, do Sporting. “Num jogo com o Inter da Huíla, marquei um golo de pontapé de bicicleta, fora da área, o que fez com que o povo de Cabinda invadisse o Estádio do Tafe”, recordou o antigo jogador. Fafan afirma que o seu talento de jogar futebol vem desde tenra idade e é familiar. Conta que os seus ancestrais também foram jogadores de futebol, na época colonial. Adianta não ter inveja daqueles que ganham muito dinheiro, com o futebol praticado na actualidade, o que não acontecia no seu tempo. Acredita que já deu o seu melhor para o futebol nacional, mas, naquela altura não havia abertura para jogar no estrangeiro, ao contrário de nos dias que correm, em que as portas estão abertas para se jogar na Europa e noutros continentes. “Naquele tempo era difícil jogar fora do país”, lembra. Abandonou a modalidade em 1995, devido às condições que os clubes ofereciam aos futebolistas, estas que já não se coadunavam com o nível de vida. “Tenho mulher e filhos para sustentar e o que recebia não chegava para tal”, explica.

 “Os meus filhos seguem os meus passos”

  Francisco Banganga Dikuila é filho de Tchamena Victor Dikuila e de Ieze Savo. Nasceu a 14 de Abril de 1964, em Cabinda. Actualmente trabalha em Malongo, na Empresa Cabestina, que presta serviço à Cabcog, exercendo a função de fiel de armazém. É casado e tem seis filhos, três rapazes e igual número de meninas. Fanfan, como é conhecido pelos amigos e familiares, tem praticado futebol para manter a forma física. Afirma que tem ajudado a sua família nos trabalhos domésticos, até na cozinha. Adianta que sabe cozinhar até kizaca, um prato muito apreciado na sua província. O antigo jogador confidencia que tem como músico de eleição Koffi Olomide, da República do Congo, e o angolano Maya Cool. “As músicas de Koffi dão-me muitos conselhos para a vida”, explica. Para o “baixinho”, o futebol foi sempre o seu desporto de eleição, desde tenra idade. Ao que conta, os seus filhos têm seguido as suas peugadas. “O meu segundo filho joga nas camadas jovens do Sporting de Cabinda”, gaba-se. O seu clube de coração é o FC de Cabinda, no qual jogou durante muito tempo, nas posições de ponta-de-lança e extremo esquerdo. A seu ver, antigamente havia mais craques no futebol nacional, como são os casos de Jesus, Saavedra, André N`zuzi, Vicy, Quim Sebas, Coreano, etc. Apela à Federação Angolana de Futebol (FAF) no sentido de andar pelas províncias à procura de novos jogadores para as futuras selecções de futebol.

 

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